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TP — Tem Poder

Com 102,2 mil empregos formais em 2025, o setor amplia sua relevância. O desafio agora é transformar escala em negócios duradouros e influência nas decisões do estado.

Ponte Hercílio Luz em Florianópolis, um dos polos de tecnologia em Santa Catarina
Florianópolis, em fotografia de arquivo de setembro de 2022. Foto: Agnaldo Servo / Wikimedia Commons. CC BY-SA 4.0; versão com recorte, cor e nitidez ajustados pela TP, sob a mesma licença.

A tecnologia em Santa Catarina ganhou uma dimensão que exige atenção de quem acompanha a economia e os centros de decisão do estado. O Observatório ACATE 2026 informa 102,2 mil empregos formais no setor em 2025, com crescimento de 1,8%. Segundo o levantamento, Santa Catarina passou a ocupar a segunda posição nacional nesse indicador, à frente de Minas Gerais. Os dados foram apresentados em agosto, durante o Startup Summit, em Florianópolis.

Esse total representa o estoque de empregos, e não 102,2 mil novas contratações ou vagas disponíveis. A distinção ajuda a dimensionar o setor sem transformar um indicador econômico em promessa de oportunidades imediatas. A divulgação da ACATE atribui a coleta dos dados à Trillia, a partir de fontes públicas.

O tamanho da tecnologia em Santa Catarina

O Observatório também reúne 34,2 mil empresas de tecnologia e faturamento de R$ 47,9 bilhões. O estado aparece em sexto lugar no ranking de receita do setor. Isso permite uma leitura mais precisa: ocupar a segunda posição em emprego formal não significa liderar todos os indicadores de tecnologia.

Indicadores do Observatório ACATE 2026: 102,2 mil empregos formais em 2025, 34,2 mil empresas e R$ 47,9 bilhões de faturamento
Arte: TP. Dados: Observatório ACATE 2026. Os indicadores medem emprego, quantidade de empresas e receita; não são valores diretamente comparáveis.

Na leitura editorial da TP, a escala muda as perguntas que precisam ser feitas. Como formar e reter profissionais? Como aproximar empresas compradoras de soluções desenvolvidas no estado? Que condições permitem crescer com receita recorrente e presença em novos mercados? Os números justificam essas perguntas, mas não oferecem, sozinhos, as respostas.

Uma rede que vai além da capital

A Grande Florianópolis tem destaque, mas o mapa apresentado pelo Observatório também inclui o Vale do Itajaí e o Norte catarinense. Essa distribuição sugere uma agenda que precisa considerar diferentes vocações regionais, em vez de tratar toda a tecnologia catarinense como um único ambiente de negócios.

O alcance das entidades também merece precisão. Ao encerrar o Startup Summit 2026, a ACATE anunciou mais de duas mil empresas associadas. Esse é o tamanho da rede da associação, não o universo completo de empresas do setor. A entidade informou ainda que a expansão internacional é uma de suas prioridades.

A mesma divulgação descreve o LinkLab Open Day como uma iniciativa de aproximação entre startups, corporações e organizações públicas. Para o leitor, o ponto relevante é o mecanismo: criar acesso a compradores e parceiros. A existência de uma conexão, porém, não equivale automaticamente a um contrato fechado.

Da vitrine aos resultados

No balanço do Startup Summit 2026 divulgado pelo Sebrae/SC, o evento reuniu mais de 11 mil participantes e 30 delegações internacionais. A instituição informou expectativa de negócios de até R$ 395,5 milhões. Esse valor foi apresentado como intenção e expectativa, não como investimento integralmente realizado.

A diferença é central para acompanhar o setor. Eventos tornam empresas visíveis e abrem conversas. O resultado econômico exige etapas posteriores: avaliação, negociação, execução e continuidade. Uma agenda pública de inovação ganha qualidade quando acompanha essa passagem, com indicadores que mostrem o que efetivamente aconteceu.

O que esse movimento representa para o poder

Na avaliação da TP, o peso da tecnologia deve ser observado também na capacidade de organizar prioridades coletivas. Emprego, formação profissional, acesso a mercados e articulação institucional colocam o setor na conversa sobre o futuro econômico catarinense. Isso não prova, por si só, influência política de qualquer empresa ou dirigente.

A questão é acompanhar quais propostas se transformam em decisões e quais decisões produzem resultados verificáveis. Como discutimos na matéria sobre produtividade na indústria catarinense, a adoção de tecnologia precisa ser examinada pelos efeitos concretos no trabalho e nos negócios.

Para a TP, esse será o próximo teste do setor: converter uma base expressiva de empresas e profissionais em crescimento consistente, conexões comerciais e oportunidades que alcancem diferentes regiões. O tamanho já merece atenção. A qualidade dos resultados definirá a força desse movimento.

Matéria elaborada a partir de documentos e divulgações públicas da ACATE, do Observatório ACATE e do Sebrae/SC, consultados em outubro de 2026. As interpretações editoriais estão identificadas no texto.

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