Entre o governo, os conselhos empresariais e as entidades que articulam investimentos, a influência catarinense tem diferentes endereços.

Quem realmente tem poder em Santa Catarina? A resposta começa por uma distinção: ocupar um cargo, controlar uma empresa e mobilizar uma rede são formas diferentes de influenciar decisões. O poder aparece no orçamento público, na escolha de um investimento, na expansão de uma operação e na capacidade de colocar uma pauta em discussão.
Este panorama reúne seis nomes ligados a essas esferas. A seleção é um recorte editorial, sem pretensão de estabelecer uma classificação definitiva. Os cargos e vínculos apresentados têm como referência informações públicas de governos, empresas e entidades.
Jorginho Mello: o poder da decisão pública

À frente do Executivo estadual, Jorginho Mello representa a dimensão mais visível do poder institucional. A administração do Estado participa das decisões sobre infraestrutura, serviços públicos e prioridades orçamentárias — escolhas que alcançam empresas, municípios e cidadãos.
Esse poder também depende da relação com a Assembleia Legislativa, as prefeituras e os setores produtivos. Para compreender sua influência, é preciso acompanhar tanto as decisões oficiais quanto a capacidade de construir apoio para executá-las.
Décio da Silva: a influência dos conselhos
Na indústria, parte das decisões mais relevantes acontece nos conselhos de administração. Décio da Silva preside o conselho da WEG desde 2008, segundo a área de relações com investidores da companhia. Antes disso, foi diretor-presidente entre 1989 e 2007.
Sua trajetória ajuda a entender uma forma de poder ligada à estratégia, à governança e à continuidade empresarial. Em organizações desse porte, as orientações do conselho participam da definição dos caminhos de crescimento e do uso do capital.
Luciano Hang: varejo e presença pública

Luciano Hang reúne a força de uma operação de varejo e uma presença pública que amplia o alcance de sua imagem. A história institucional da Havan o apresenta como fundador e único dono da rede, que completa 40 anos em 2026 e informa estar próxima de 200 megalojas.
A expansão comercial conecta sua atuação a cidades, empregos, fornecedores e consumidores. A exposição pública acrescenta outra dimensão: a capacidade de participar de debates e mobilizar atenção para além do ambiente empresarial.
Gilberto Seleme: a articulação da indústria

Gilberto Seleme preside a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina no mandato 2025–2028. A posse registrada pela FIESC ocorreu em agosto de 2025.
Sua posição coloca em evidência o poder de articulação de uma entidade representativa. Infraestrutura, competitividade, formação profissional e ambiente de negócios são temas que aproximam a indústria das decisões públicas. A influência, nesse caso, passa pela capacidade de organizar demandas e reunir interlocutores.
Diego Ramos: redes de tecnologia
A tecnologia acrescenta novos centros de influência ao mapa catarinense. Diego Ramos foi reconduzido à presidência da ACATE para o mandato 2026–2028, conforme comunicado da associação.
No setor, o poder se constrói também por conexões: aproximar empresas, investidores, talentos e instituições pode abrir mercados e acelerar projetos. A atuação de entidades como a ACATE permite observar como essas redes ganham representação e presença no debate econômico.

A cooperação entre FIESC e AWS, registrada na fotografia acima, ilustra outra frente da digitalização industrial. O registro mostra uma iniciativa da federação industrial voltada à produtividade e à transformação digital.
Jaimes Almeida Junior: capital e transformação urbana
O mercado imobiliário e os centros comerciais também participam da organização econômica das cidades. Jaimes Almeida Junior é fundador e diretor-presidente da Almeida Junior e integra seu conselho de administração, segundo a página de governança da empresa.
Nesse campo, decisões de investimento podem modificar fluxos de consumo, a ocupação de áreas urbanas e oportunidades para o comércio. É uma influência que se materializa em empreendimentos e em relações com lojistas, fornecedores e administrações locais.
Poder em Santa Catarina: quem consegue mover uma decisão?

O mapa é mais amplo que os nomes deste recorte. Empresas familiares, cooperativas, universidades, lideranças municipais e organizações da sociedade civil também participam das escolhas que moldam o Estado.
Para a TP, acompanhar o poder significa observar decisões concretas: quem define prioridades, quem investe, quem articula apoio e quais efeitos essas escolhas produzem. A pergunta que orienta essa cobertura é simples: quem realmente consegue alterar o rumo de uma decisão em Santa Catarina?
Panorama editorial elaborado a partir das fontes institucionais indicadas no texto. Fotografias de arquivo e divulgação identificadas nas legendas; créditos originais preservados.
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